Nos últimos meses, a tirzepatida se tornou um dos medicamentos mais comentados quando o assunto é emagrecimento. Quase toda semana alguém me pergunta no consultório: "Doutor, isso funciona mesmo?"
A resposta honesta é: funciona, sim. Mas não da forma simplificada que está sendo divulgada.
A tirzepatida atua em mecanismos relacionados à saciedade e à regulação glicêmica. Na prática, o paciente sente menos fome, maior controle alimentar e melhora da sensibilidade à insulina. Isso facilita o déficit calórico.
Mas aqui está o ponto importante: Facilitar não é resolver.
Se não houver preservação de massa muscular, ajuste nutricional adequado, controle do sono e acompanhamento metabólico, o risco de recuperar peso após interrupção é alto.
Outro erro comum é iniciar a medicação sem investigação prévia. Nem toda dificuldade para emagrecer é indicação de injetável. Muitas vezes o problema está em resistência insulínica não diagnosticada, desorganização hormonal ou inflamação metabólica.
Eu sempre explico aos pacientes: Medicamento é ferramenta. Estratégia é o que gera resultado duradouro.
Quando bem indicada e acompanhada de forma estruturada, a tirzepatida pode ser extremamente eficaz. Quando usada como atalho, tende a ser temporária.
Se você sente que faz esforço e o corpo não responde, talvez seja o momento de investigar seu metabolismo antes de iniciar qualquer medicação. Uma avaliação clínica bem conduzida costuma esclarecer mais do que qualquer tendência da internet.